domingo, 16 de junho de 2013

BA-BOOM É PAVIO ACESO QUE INCENDEIA

Ba-Boom é uma explosão de surpresa no cenário musical brasileiro, com sonoridade rica pelos ritmos jamaicanos. 


Ba-Boom é uma banda formada no ABC paulista, por Bruno Buia na voz e percussão, Allan Tijolin na guitarra e voz, Cassiano Ks na bateria, Raoni Gruber no baixo, Kiko Bonato no sax tenor, Bio Bonato no sax baritono, Victor Fão no trombone, Felippe Pipeta no trompete, Marcos Guarujá e Rafael Bira nas percussões e Caio Duarte nos teclados.

Difícil conciliar tantos interesses, entre 10 integrantes, mas essa galera encontrou a música jamaicana como ponto comum e de união entre si mesmos. Gravaram um disco muito bem produzido por Sérgio Sofiatti da 'Orquestra Brasileira de Música Jamaicana' e participação especial de André Abujanra, do 'Karnak' e 'Mulheres Negras'.

O disco abre com a pedrada, que intitula o álbum, 'Incendeia', um reggae meio ragga meio samba, seguido pelo ska 'Batalha'. 'Quem conta', 'Noite de reggae', 'Amizade prevalece' e 'Como tá Kalunga?' representam o reggae tradicional, enquanto 'Inna RC' e 'Mano sujou!' rementem ao ragga. A banda já fez até uma turnê na Jamaica, onde forma muito bem recebidos pelo público local.

'Canção guerreira' remete à verve pop do grupo e 'Toque de bamba' é pura experimentação com tambores de afoxé da música brasileira. A banda Ba-Boom foi uma grande surpresa do ano passado – tanto que fez parte da lista EuOvo dos melhores do ano – e merece ter o som mais apreciado por todos que são ávidos pela nova música brasileira.

2012 Incendeia

1. Incendeia
2. Batalha
3. Quem conta
4. Noite de reggae
5. Toque de Bamba
6. Amizade prevalece
7. Inna RC
8. Canção guerreira
9. Como tá Kalunga?
10. Mano sujou!

domingo, 9 de junho de 2013

ANGELA COITADINHA, RÔ, RÔ, BEM FEITO!

Homenagem a cantora Angela Rô Rô, valoriza as grandes composições desta intérprete autoral, na voz dos novos artistas da música brasileira.


“Coitadinha, Bem Feito” é um álbum tributo à compositora Angela Rô Rô produzido por Zé Pedro, com releituras de clássicos do repertório da cantora, feitas por cantores da cena musical atual.

Abrindo com o hit máximo da carreira desta artista, “Amor, meu grande amor”, na voz do cantor Lucas Santtana, que desconstruiu o belo blues com programações e samples pontuando a melodia executava em baixo, órgão e sintetizadores – todos executados por Santtana. A bela canção “Renúncia” tem Lirinha, Pupillo, Berna Ceppas, Igor Medeiros e Rodrigo Coelho.

Leo Cavalcanti apresenta uma versão singela de “Carne e case”, com o auxílio do violoncello de Bruno Serroni. Rômulo Fróes apresenta “Só nos resta viver” no violão, com Luca Raele no clarinete. “Mares de Espanha” foi interpretada por Thiago Pethit, com Pedro Penna, Camila Lordy, Anderson Ambrifi e Leonardo Rosa.

Tatá Aeroplano apresenta a “Balada da arrasada” com Junior Boca, Meno Del Picchia e João Leão. A canção que dá título ao álbum, “Coitadinha, bem feito”, chega na voz de Otto, com Pupillo na bateria, teclado e programações e Regis Damasceno no baixo e guitarra. Gui Amabis entrega “Abre o coração”, também com Damasceno.

“Gota de sangue” aparece pelas mãos do multi-instrumentista e responsável pelo padrão de qualidade do “CSS”, Adriano Cintra. Enquanto Pélico é o responsável pela releitura de “Não há cabeça”, com Jesus Sanchez, Tato Cunha e Bruno Bonaventure.

“Fogueira” tem Rodrigo Campos na guitarra e voz e também Rica Amabis e Alexandre Ribeiro. Kiko Dinucci apresenta “Tango da bronquite”, numa reconstrução em voz e violão, com os teclados de Zé Nigro. Rael da Rima vem com uma banda de responsa em “Perdoai-os, pai”, com Muka Brass, Rafael Costa, Bruno Marccuci e Bruno Dupré.

“Fraca e abusada” tem a voz de Gustavo Galo, com Pedro Gongon Manesco, Del Picchia e Zé Pi. A voz e violão de Dani Black aparecem em “Tola foi você”, seguida de “A mim e a mais ninguém” com Juliano Gauche, Gustavo Souza, Del Picchia, Gustavo Cabelo, Zé Pi e João Leão.

Encerrando com Helio Flanders cantando e tocando piano em “Me acalmo danando” com o violino de Fernanda Kostchak. Um tributo bem produzido e bem elaborado, com grandes canções da cantora Angela Rô Rô, que tem sido subestimada como compositora de sucessos.

2013 Coitadinha, Bem Feito

1. Amor, meu grande amor - Lucas Santtana
2. Renúncia - Lirinha
3. Came e case - Leo Cavalcanti
4. Só nos resta viver - Romulo Fróes
5. Mares da Espanha - Thiago Pethit
6. Balada da arrasada - Tatá Aeroplano
7. Coitadinha, bem feito - Otto
8. Abre o coração - Gui Amabis
9. Gota de sangue - Adriano Cintra
10. Não há cabeça - Pélico
11. Fogueira - Rodrigo Campos
12. Tango da bronquite - Kiko Dinucci
13. Perdoar-os, Pai - Rael
14. Fraca e abusada - Gustavo Galo
15. Tola foi você - Dani Black
16. A mim e a mais ninguém - Juliano Gauche
17. Me acalmo danando - Helio Flanders

domingo, 2 de junho de 2013

CATARINA, A MULHER CROMAQUI

'Mulher Cromaqui' é o nome do novo álbum da cantora recifense Catarina Dee Jah, no qual ela assume persona multifacetada.

Catarina Dee Jah começou como DJ, mas logo demonstrou irreverência suficiente para se transformar em cantora e compositora.

Com forte discurso, ela assume uma personagem voluptuosa, desbocada e punk-brega. 'Kay fora', 'Sarará' e 'Toca-te dentro' faziam parte do primeiro EP da cantora, e também foram incluídas neste álbum.

Catarina demonstra maturidade para falar de feminismo, comentar sobre relacionamentos e falar sobre sexo. Destaque para faixas como 'Mulher tiragosto', 'Hey mãe', 'Dára', 'Lá mi ré dó ré lá' e 'Vem que vem'.

A faixa 'Intercâmbio cultural' tem participação de Jr. Black e a versão cumbiada da canção virou 'Intercumbia' com participação da banda Academia da Berlinda. O disco 'Mulher cromaqui' é uma peça dançante, que mostra as crônicas cotidianas de uma cantora preocupada em ocupar espaço como mulher e artista.

Catarina é uma artista completa, boa compositora e presença de palco incontestável. Representante direta do movimento nacional das “vulvas em fúria”, ou seja, uma fêmea com “Fogo na Shanah”. 

Um disco imperdível na sua estante... Selvageria na sua orelha!

2013 Mulher Cromaqui

1. Kay fora
2. Sarará
3. Amufinada
4. Intercâmbio cultural
5. Lá mi ré dó ré lá
6. Hey mãe
7. Toca-te dentro
8. Vem que vem
9. Mulher tiragosto
10. Dára
11. Intercumbia
12. Raça desunida

domingo, 26 de maio de 2013

EMÍLIA CHEIA DE GRAÇA

'Cheia de Graça' é o nome do disco de estréia da cantora Emília Monteiro, nascida no Amapá e radicada em Brasília.
Emilia Monteiro começou no teatro atuando e cantando nos musicais de Deto Montenegro, pela 'Companhia dos Menestréis'. O álbum 'Cheia de Graça' nasceu de suas lembranças afetivas e familiares com os ritmos do norte.

No disco, Emilia faz reverencias aos diversos ritmos da região Amazônica, como batuque, marabaixo, lundu, carimbó, cumbia, carimbó chamegado, guitarrada e zouk love. 'Mandacarú' abre o álbum trazendo a modernidade ao batuque-jazz.

Com produção de João Ferreira e Rodrigo Campello em duas faixas, o disco ainda traz a participação especial de Dona Onete no zouk-love 'Veneno de cobra' e no carimbó chamegado 'Eu quero esse moreno pra mim'. 'Mal de amor' tem um balanço bom do marabaixo.

O carimbó 'Coisinha' e a balada 'Descalço' foram produzidas por Rodrigo Campello, produtor de gente como Roberta Sá e Ney Matogrosso. 'Córrego rico' foi composta por Ellen Oléria e representa uma história muito especial para ela. “Quando mostrei essa música para a Emília, ela chorou. Mas lá em casa todo mundo ri de ouvir essa canção, porque nela eu uso o cotidiano do convívio famíliar”, ressalta Ellen.

'Mãe e só' é uma pérola, que ressalta a força de todas as mães guerrilheiras do mundo. Um verdadeiro hino para todos os dias das mães. A canção que dá nome ao disco, 'Cheia de graça' também foi composta por outra cantora brasiliense, Angela Brandão. Faixa de balanço caboverdiano, quase um fado.

O lundu 'Meus ventos', a balada-jazz 'Mais eu' e o batuque 'Mão de couro', com participação do mestre da guitarrada Aldo Sena, encerram o disco. Um álbum apaixonante com interpretação singular de Emília Monteiro.

2013 Cheia de Graça

1. Mandacaru
2. Veneno de cobra
3. Mal de amor
4. Coisinha
5. Descalço
6. Córrego rico
7. Eu quero esse moreno pra mim
8. Mãe e só
9. Cheia de graça
10. Meus ventos
11. Mais eu
12. Mão de couro

domingo, 19 de maio de 2013

AS CABEÇAS DA ORQUESTRA DE CABEÇA

Banda sergipana mistura elementos de ritmos tradicionais com elementos eletrônicos e faz um som contagiante.

     

A banda 'Coutto Orquestra de Cabeça' é uma micro-big-band, que faz uma 'eletrofanfarra' onde mistura ritmos como a cumbia, tango, milonga, valsa, forró, marcha, fanfarra etc com samples e batidas eletrônicas – dai o nome que vai batizar o primeiro álbum, 'Eletrofanfarra'.

Previsto para ser lançado neste mesmo ano, o disco vem sendo gravado pela banda, após muito trabalho ao vivo nas feiras musicais, que acontecem em vários lugares do país, como o 'Porto Musical', onde receberam muitos elogios da crítica especializada.

Quem não pode vê-los em carne e osso, saiba que é possível baixar o EP de divulgação, 'Aratu Milonga', uma ótima oportunidade de conhecer a mistura dançante feita por Alisson Coutto (trombone, vocais e samples), Fabinho Espinhaço (bateria), Rafael Ramos (contrabaixo, vocais e teclados) e Vinicius Bigjohn (acordeon, teclados e vocais).

O EP foi lançado em 2012 e apresenta cumbia com forró em 'Juanita', tango sensorial com 'Cordélia', xaxado com milongas mais batidas eletrônicas em 'Loreta Boutique' e valsa com 'Routine' e 'A flor', que támbém abre o disco apresentando influências do leste Europeu.

Um som imperdível para quem gosta de música de qualidade.

2012 Aratu Milonga EP

1. A flor
2. Routine
3. Cordélia
4. Loreta boutique
5. Juanita

domingo, 12 de maio de 2013

O SANTO-GUERREIRO TOM ZÉ NA TERRA DA IRARÁ-COLA

Repercussão na internet ao comercial de refrigerante narrado por Tom Zé, gera compacto inspirado do cantor com diversas participações especiais.


Tudo começou quando foi ao ar o comercial da Coca-Cola, onde o Tom Zé narrava o texto enaltecedor do anúncio. Uma propaganda que revisava a paixão do brasileiro ao futebol e refletia sobre a realização do Mundial de Futebol, em 2014. Muita gente criticou essa atuação na peça publicitária, utilizando postagens (muitas vezes ofensivas) nas redes sociais, mais predominatemente pelo feicibuqui.

Tom Zé replicou as críticas e explicou usaria o lucro em investinto em suas experiências musicais – porque ele sempre as fez, mas agora teria respaldo e capital de giro. Naquele pedido de desculpas, o artista abriu o coração e transpareceu ao público. Além de ter dado mais crédito à mal-falada Coca-Cola, com narração otimista e legitimadora, Tom Zé ainda submetia o orçamento pessoal à aprovação pública.

Mas o assunto não morreu ai... Tom Zé, começou a postar em seu blog, uma contagem regressiva para um nascimento.... Nessas narrativas, o cantor comentava diversos nascimentos históricos ou fictícios entre outros assuntos, como a experiência teatral com o espetáculo icônico 'Arena canta Bahia' e episódios da época de ostracismo – final dos anos 70 e toda a década de 80. Mas quem nasceria?

Nasceu o disco 'Imprensa Cantada (Segunda Edição) – Tribunal do Feicibuqui', proposto por Marcus Preto, como resposta ainda mais concisa que o extrato das intenções de Tom Zé. Com participações especiais de EMICIDA, O Terno, Filarmônica de Passárgada, Trupe de Chá de Boldo e Tatá Aeroplano.

Impossível não se render a genialidade, maravilhosidade, sensacionalidade e todas outras idades de Tom Zé, na terra da Irará-Cola.

Imprensa Cantada (Segunda Edição) – Tribunal do Feicibuqui

1. Tom Zé mané
2. Zé a zero
3. Taí
4. Papa Francisco perdoa Tom Zé
5. Irará Iralá

domingo, 5 de maio de 2013

O NOME DELA É KAROL CONKÁ

Karol Conká representa o universo feminino dentro do hip hop, uma seara cada vez mais dominada por outras grandes mulheres, como Flora Matos, Livia Cruz, Lurdez da Luz e muitas outras.


'Batuk Freak' é o mais recente trabalho de Karol Conká. Um álbum de rap com produção caprichada de Nave e canções cada vez mais melódicas por cima das rimas rápidas e certeiras da cantora. O disco também faz referência a ritmos tradicionais do cancioneiro popular brasileiro.

Canções que misturam o batidão com programações eletrônicas e ritmos brasileiros como samba-reggae em 'Gueto ao luxo', embolada em 'Vô lá' e 'Boa noite' (sampleada por Chico Science em 'A cidade'), funk-carioca em 'Caxambu', pifes em 'Gandaia' e batuque em 'Corre, corre Erê'. Mas outras faixas também remetem a gêneros como reggae em 'Sandália' com parceria de Rincón Sapiência, dubstep em 'Mundo louco', batidas estilo anos 80 em 'Olhe-se' com MC Tuty e baladas como 'Que delícia' e 'Bate a poeira'.

Um disco essencial para entender a transformação atual do rap brasileiro, com cada vez mais referências aos ritmos e aos ricos estilos da música brasileira e internacional.

2013 Batuk Freak

1. Corre, corre Erê
2. Gueto ao luxo
3. Vô lá
4. Gandaia
5. Você não vai
6. Bate a poeira
7. Sandália (& Rincón Sapiência)
8. Mundo louco
9. Que delícia
10. Olhe-se (& Tuty)
11. Boa noite
12. Caxambu

domingo, 28 de abril de 2013

SPACED NIGHTS LOVES DANCER LASERS

'Space Night Love Dance Laser' é uma força da natureza. Um fenômeno de Brasília. Não dá nem para explicar. É inexplicável.


Sistema Criolina é a marca. O produto é 'Space Night Love Dance Laser', banda formada por Djs da famosa festa da capital e músicos de grupos, vertentes e estilos diferentes – dos quais integrantes dos 'Móveis Coloniais de Acaju', 'Toró de Palpite' e até da extinta 'Tuba Antiatômica do Planalto', entre outros.

Com formação flutuante, os integrantes fixos são Rafael “El Capitan” Oops nas programações eletrônicas, Dillo “Dedos” Daraujo nas guitarras, Esdras Nogueira no sax, Alexandre “Xande” Bursztyn no trombone, Rodrigo “Barata” Tavares na bateria e percussão e Anderson Nigro na bateria, mas com participações de Vavá “Galante” Afiouni no baixo, Luiz “Espiga” Rocha no clarinete, e Ivan “Nancy” Bicudo na guitarra ebow.

O som deles é um caldeirão de referências dançantes que vão desde batidas eletrônicas à fanfarra do leste europeu, com diversos ritmos brasileiros, como lambada, côco, frevo e repente. A canção que abre o álbum, 'Ivani 2000' tem uma levada pop meio “16 toneladas”.

'Mariola' remete ao doce popular para criar uma atmosfera lúdica entre o cavaquinho de Guilherme Campos, sopros, percussões e as programações eletrônicas. 'Chove no eixinho' conta com a participação da dupla maranhense Alê Muniz e Luciana Simões, do Criolina(MA). A faixa é um repente tecnocôco na forma de um trava-línguas moderno ecoando um mantra com o auxílio da sanfona matadeira de Junior Ferreira.

Pequi é fruta do cerrado brasileiro, que também dá nome a faixa 'Pequi week bar', uma tecnocumbia com guitarrada, com o trompete salseiro de Wesbonny Rodrigues e o teclado de Gustavo Cochlar. Em 'Tema do Aparelhinho' a trupe enaltece o carnaval de rua brasiliense com o hino deste mesmo bloco carnavalesco. A música é um legítimo frevo de rua com pitadas de lambada e samba-reggae, ritmos tão característicos dessa época do ano.

'Lambada classe A', a única canção não autoral do disco, é um verdadeiro clássico de Aldo Sena, um dos mestres da guitarrada paraense. Desafio qualquer um a ouvir e não bater o pézinho. 'Amor demais' entrega realmente amor demais. É tanto amor, “somente amor”, que dá a impressão de uma épica balada dos balcãs.

'Wata côco' é um tecno-côco-eletro-ragga-pop, seguido por 'Parque Pithon', que lembra o nome original do Parque da Cidade, uma levada espacial de melodia grega com proporções apoteóticas. O encerramento dá-se com o jazz-samba 'Voadeira swing', com direito ao vocal em scat de André “Móveis” Gonzales, no melhor estilo “...if it ain`t got that swing...”.

O disco tem produção artística do Sistema Criolina – Barata, Pezão e Oops – e produção musical de Xande. Ouça sem moderação!

2013 Space Night Love Dance Laser

1. Ivani 2000
2. Mariola
3. Chove no eixinho
4. Pequi week bar
5. Tema do Aparelhinho
6. Lambada classe A
7. Amor demais
8. Wata côco
9. Parque Pithon
10. Voadeira swing

domingo, 21 de abril de 2013

LIGIANA ENCONTRA FLORESTA QUE REVELA A FLORESTA

De como a cantora se juntou ao maestro para criarem uma ópera-batuque em homenagem ao passado, presente e futuro.


O novo disco de Ligiana nasceu muitos anos antes, mas ninguém sabia disso ainda, nem mesmo a própria cantora. Nasceu junto com a própria artista, antes que ela mesmo decidisse trilhar a carreira como musicista. Estava encrustado em sua pele por toda a infância, e ficou pelas memórias e lembranças desde então.

Com produção e arranjos do maestro Letieres Leite, da Orquestra Rumpilez, Ligiana compôs uma obra singular com um pé na tradição de batucada e outro no lirísmo concertista, o disco intitulado 'Floresta'. A cantora é filha de mãe mineira com o jornalista maranhense, Celso Araujo, que também é cantor, compositor e filho da Floresta homenageada por esta singela ópera.

Destaque para o disco todo em si, uma vez é impossível separar as canções de sua ordem no álbum. 'Floresta' é um álbum a ser contemplado. Uma forma orgânica, viva e de força própria. Toda essa força emana através da cantora, que se transforma na essência de artista que sempre carrega consigo.

O disco foi todo gravado em quatro madrugadas intensas, com Marcio Diniz na bateria e percussão, Ayrton Zettermann nos baixos e contrabaixos, Gerson Silva nos violões e outras cordas e Bruno Aranha no piano – Tito Oliveira, Idson Galter, Juninho Costa e Marcelo Galter tocam respectivamente os mesmos instrumentos na faixa 'Boi de Catirina'.

No final do processo, foram adicionados mais percussões, cordas, sopros e vocais, para tudo ser mixado por André T. ao lado de Letieres. Com esse álbum, Ligiana pretende apresentar um espetáculo com verve cênica. Neste álbum ela é a Floresta.

Conversei com Ligiana e Letieres sobre este belo projeto.


Ligiana, como você chegou ao Letieres? E como foi trabalhar com ele?
Nos conhecemos na Bahia e de cara vimos que podíamos fazer música juntos. Letieres é um inquieto dos sons, um gênio generoso e nos encantamos um pelos universos sonoros do outro. Dei carta branca para os arranjos e produção dele, e ele foi muito cuidadoso e delicado ao se aproximar do repertório que eu havia compilado, trabalhamos muito juntos e em sintonia altíssima. O fato de se tratar de um disco independente é muito positivo neste caso, não fizemos nenhuma concessão, colocamos nossos desejos e loucuras inteiras no disco e acho que isso faz do resultado algo bem honesto.

...E você Letieres?
Na realidade quando conheci Ligiana, não estava ainda em questão realizar algum trabalho juntos... Mas sabia que se algo realizássemos seria muito interessante por causa da musicalidade e conhecimento que ela possui.

Como você definiu a linha de produção do álbum?
Um trabalho simples e bem objetivo baseado na idéia de um trio de base (com participações extras pontuais) num estilo de gravação direta com o mínimo de interferência (num conceito “ao vivo”).

Ligiana, como você vê essa forma de gravar o disco ao vivo? Sem interferência alguma no processo...
Eu venho de música de câmara, de conjunto. Para mim esta é a forma mais fundamental de fazer música... fazendo juntos! Não trabalhei assim no primeiro disco mas fiquei feliz de ter feito 'Floresta' desta forma viva e vibrante. Acho que os deuses da música agradecem sempre que a tratamos assim, de maneira ritualística.

Como você define esse álbum?
Acho que o disco reflete o que de melhor eu podia fazer neste momento da minha vida, e isso já é bastante. Fiquei feliz por ter ousado vocalmente, passeado em territórios que podem até parecer inusitados de colocação vocal mas que fazem parte da minha historia com a música. Eu aprendi muito gravando e trabalhando com Letieres, que tem pilares muito firmes na forma de abordar a música, isso é muito tocante... Um deles, por exemplo é a questão rítmica e o respeito às claves. Isso transforma a forma de cantar, de dizer o texto. Foi um desafio
maravilhoso!

Letieres, tive a forte impressão do disco ser uma obra completa... Quase uma ópera... Uma ópera-batuque. Qual é a sua impressão pessoal sobre o álbum?
Pessoalmente não acredito que a parte batuque (nome genérico da percussão afro-brasileira) seja tão preponderante neste trabalho (duas são as músicas com percussão).
Acho que o foco está claramente nas interpretações magistrais de Ligiana.


Ligiana, você compôs várias faixas do disco? Como foi assumir esse lado de compositora?
Sim, a maioria das canções são minhas, muitas em parcerias com Juliana Kehl, Chico César, Celso Araujo, Marcel Martins e Lucas Paes. E algumas são pérolas, como é o caso da canção do Haiti, que dialogam muito bem com o repertório autoral, assim como é o caso da versão que meu pai fez
para uma canção de Pino Daniele.
Letieres me deixou muito segura para cantar composições minhas, valorizou meu lado compositora e criadora, isso foi fundamental.

Ligiana, você comentou que o disco homenageia sua avó... Essa homenagem foi pensada? Programada?
Floresta era o nome de minha avó paterna, maranhense. O disco não começou a existir a partir de uma homenagem a ela. A energia dela que veio se aproximando do disco até se tornar o próprio disco. Eu brincava que o disco deveria se chamar “Que no Planeta haja Música e Dança, a Cidade e a Floresta, o Silêncio e a Conversa entre Irmãos”, que é o trecho final da canção que abre o disco, 'Malabares'. Eu gosto dessa frase porque ela é positiva e engloba minha visão de existência, mas é claro... É longuíssima!
Então pensei em Floresta e na hora veio o estalo: meu Deus! Sou neta da Floresta! O Maranhão, estado dela e do meu pai (que é meu parceiro) foi aparecendo pra mim, decidi gravar a 'Canção de Sousândrade' que meu pai compôs a partir de poemas deste grande poeta maranhense do século XIX, que ele canta pra mim desde criança. Depois descobri o 'Boi de Catirina', que é uma historinha a parte - eu e Letieres ouvimos este boi e eu mandei pro meu pai perguntando se conhecia... Ele me respondeu “claro, sua avó adorava cantar isso”... Dizer o que mais? E depois, já perto de gravar o disco, compus junto com Letieres 'Corda e Mearim', uma vinheta que fala da Floresta e das florestas (o nome faz referência aos dois rios que se encontram em Barra do Corda, a cidade onde ela nasceu).
Mas nem todo o repertório se relaciona com Floresta, apesar de que sinto que todas as canções são habitadas por uma espécie de entidade em comum, a floresta aqui é a avó, é a ancestralidade, somos nos mesmos.

Letieres, como foi trabalhar com Ligiana?
Te respondo que raras são as oportunidades de se puder trabalhar com uma cantora com tanto estofo. Uma artista com uma percepção e formação pratica e teórica tão ampla e criativa, tornando o trabalho um agradável passeio.

Ligiana, quais são os planos pra o lançamento do disco?
Meus planos são cantar e fazer com que 'Floresta' seja ouvida! Não temos ainda datas de shows completamente confirmadas mas as pessoas podem ficar atentas no facebook e no site! Em breve espero ter datas. Minha vida agora anda mais corrida porque tenho um programa diário na Rádio Cultura FM.
Mas quero muito ver 'Floresta' nas ruas e nos palcos!



2013 Floresta

1. Malabares
2. Desperta
3. Rouge
4. Esmeralda
5. La mizé pra dous
6. Canção de Sousândrade
7. Salsa petrarca
8. Vem a tempestade
9. Corda e Mearim
10. Boi de Catirina
11. Um pássaro

domingo, 14 de abril de 2013

NOVOS ARTISTAS ENCONTRAM LENDAS DA MÚSICA BRASILEIRA

Projeto produzido por Daniel Ganjaman, em comemoração aos 75 anos da marca Ray Ban, que reuniu vários artistas da música brasileira.



A festa de lançamento do projeto 'Ray Ban presents Meet the Legends' aconteceu com uma festa ao som de Tulipa Ruiz, com as participações especiais de Emicida e Jorge Mautner. O álbum em si, promove o encontro entre novos artistas da música brasileira com grandes mestres deste mesmo universo.


A primeira faixa resume o encontro do violino e voz de Jorge Mautner com Tulipa Ruiz e sua banda formada por Luiz Chagas (guitarra), Gustavo Ruiz (baixo), Marcio Arantes (teclado) e Caio Lopes (bateria). Uma revoada de passarinhos em 'A ordem das árvores', música presente no primeiro álbum da cantora.


A banda Dorgas gravou com Jards Macalé, a canção 'Faisão dourado (tendência e cor)', com a união entre o rock harmônico da banda com o tom grave da voz de Macalé. Depois a mistura do rock, dos Forgoten Boys, com o soul-funk de Toni Tornado, deixou a música 'Change' com um andamento mais lento para caber na interpretação do tom do Tornado.





A faixa inédita 'Até o amanhecer' resume a parceria da rapper curitibana Karol Conká, acompanhada por Nave nos beats e programações, com os vocais lendários de Luiz Melodia. A próxima parceria foi entre a banda de funk Garotas Suecas com a sambista Elza Soares, em 'Alma'.


A última canção foi 'Ô, sorte!' com Emicida e o bateirista Wilson das Neves, que também conta com acompanhamento de Duani Martins (baixo) e Pepe Cisneiros (piano). Mesclando o jazz com samba e as rimas de Emicida, evocando os títulos das canções do mestre Wilson das Neves.



Uma boa oportunidade para ouvir e assistir essa reunião de batutas e coringas da música popular brasileir.  

Ray Ban presents
2012 Meet the Legends

1. Tulipa Ruiz + Jorge Mautner – A ordem das árvores
2. Dorgas + Jards Macalé – Faisão dourado (tendência e cor)
3. Forgotten Boys + Tony Tornado – Change
4. Karol Conka + Luiz Melodia – Até amanhecer
5. Garotas Suecas + Elza Soares – Alma
6. Emicida + Wilson das Neves – Ô, sorte!

domingo, 7 de abril de 2013

O CORAÇÃO DE RAEL BATE FORTE NA RIMA

Rael da Rima apresenta um som requintado, cheio de boas métricas e linhas melódicas, neste segundo disco da carreira. 


O álbum do rapper Rael da Rima, 'Ainda Bem que Segui as Batidas do meu Coração', ressalta o lado harmônico do cantor de ricas rimas.

Rael da Rima representa o rap brasileiro, junto com seus parceiros no Laboratório Fantasma, Emicida e Ogi, além de rappers como Rashid, Kamau, Rappin Hood, Racionais, Rapadura, Criolo, entre outros. Rael também faz parte do coletivo de hip hop, 'Pentágono', junto com Apolo, M.Sario, Massao e DJ Kiko.

O disco foi lançado gratuitamente na internet, mas também é possível comprá-lo por cinco reais, no site do Laboratório Fantasma. Uma obra com canções que vão além do hip hop, com uma profusão de ritmos e influências.

O álbum tem reggae, dub e ska, com 'Diáspora', 'Ela me faz' e 'Tudo vai passar', que tem participação de M.Sario. Tem afrobeat em 'Caminho' e também samba com participação de Emicida e Péricles, em 'Oya'. Mas também tem baladas líricas como 'Semana' e 'Pedindo pra Deus'. Sem falar nas canções de batidas populares como 'Anda', 'Diferenças' e 'Leão de Judah', que mostram bem a sagacidade das letras de Rael.

Destaque especial para 'Coração' com participação de Mariana Aydar, num dos momentos altos do disco – um indie-rap, com força para ser entoado em uníssono em qualquer grande espetáculo. Rael da Rima mostra a que veio num álbum que apresenta o novo hip hop brasileiro, com produção internacional de Beatnick e K.Salaam.

Um álbum onde o rapper não é apenas rimador ou repentista, mas sempre cantor.

2013 Ainda Bem que Segui as Batidas do meu Coração

1. Ainda bem
2. Caminho
3. Semana
4. Tudo vai passar (& Msario)
5. Anda
6. Só não posso (remix)
7. Quizumba
8. Causa e efeito
9. Diáspora
10. Coração (& Mariana Aydar)
11. Ela me faz
12. Diferenças
13. Pedindo pra Deus
14. Oya (com Emicida & Péricles)
15. Leão de Judah

domingo, 31 de março de 2013

COSMOPOLITA É QUEM VIAJA NO COSMOS

Dupla de músicos sulistas, mistura diversas sonoridades para criarem uma obra ímpar de influências eletrônicas e orgânicas.


Projeto CCOMA é um duo de jazz intrumental contemporâneo, formado pelo trumpetista Roberto Scopel e pelo produtor e percussionista Swami Sagara (Luciano Balen).

O álbum 'Peregrino' é recheado de beats hipnóticos com misturas inusitadas entre os tambores africanos, brasileiros e ritmos Árabes e estilos como tango no que eles próprios denominaram de “future jazz”. O disco conta com participações especiais de gente como Di Melo (o imorrível), Zeca Baleiro, João Luiz Oliveira, Luciano Sallum, Paulo Johan, Diógenes Baptisttella e Corina Piatti.

Você inicia a audição com 'Grand Bazaar', que parece te transportar ao centro de uma feira Árabe, seguida pela 'Milonga para los perros', no melhor estilo Piazzolla ou neoGardel. Em 'Xangô é Rei', o duo opta por voltar às raízes brasileiras com uma batucada invocadora do Rei dos orixás.

'Bukowina' revela o espírito das fanfarras do leste Europeu, com belo arranjo de sopros. 'Iracino y Cerenita' celebra a proximidade com “nuestros hermanos” latino americanos e seus estilos musicais, tudo mesclado com nossa batucada e adaptado ao livre estilo do jazz do futuro e da música eletrônica.

'Amazônica fever' é feita para ferver nas pistas de dança através de uma cumbia densa e pesada. 'Cosmopolita' volta ao universo Árabe, misturando as batidas eletrônicas com cantos sírios. 'Caminho do meio', 'Partido-alto canhoteiro' e 'Música surda' encerram o álbum.

O disco te leva numa viagem sensorial pela música mundial, passando pelo leste Europeu, pela África e desembarcando na terra de Vera-Cruz e seus países vizinhos.

Existe uma transformação esperando àqueles que ouvirem o som do Projeto CCOMA. Cabe a você, ouvinte, decidir qual é a sua...

2012 Peregrino

1. Grand Bazaar (& Luciano Sallum)
2. Milonga para los perros (& João Luiz Oliveira)
3. Xangô é Rei (& Di Melo)
4. Bukowina
5. Iracino y Cerenita (& João Luiz Oliveira)
6. Amazônica fever (com Diogenes Baptisttella & Corina Piatti)
7. Cosmopolita (& Zeca Baleiro)
8. Caminho do meio (& Paulo Johann)
9. Partido-alto canhoteiro
10. Música surda


domingo, 24 de março de 2013

O SOM SUPERLATIVO DO SUPERLAGE

Com canções dançantes e contagiantes, a banda 'Superlage' insere a cumbia eletrônica no cancioneiro popular brasileiro.

O 'Superlage' é uma banda que surgiu da afinidade entre Eudes Ciriano e Rafik Alfaia, que juntos criaram uma mistura de cumbia eletrônica com o reggae, sambas e elementos rítmicos do interior pernambucano.

Eudes Ciriano, olindense conhecido como DJ Incidental, tocou profissionalmente como baixista em diversas bandas pernambucanas, frequentou vários festivais e se firmou artisticamente como DJ produtor. No final da década de 90 conheceu Alfaia, também baixista, ex-integrante da banda 'Querosene Jacaré' e 'Monjolo'.

Comos os dois sempre trabalharam nos próprios projetos pessoais, Eudes tinha vários registros caseiros e sempre estudou e criou beats eletrônicos com a intenção de trasnformar tudo em CD, enquanto Alfaia construía sua carreia musical em São Paulo, sempre registrando melodias de vários estilos. Em 2012 uniram o conhecimento e montaram a parceria que virou a banda 'Superlage'.

Com as composições em parceira, a dupla sentiu a necessidade de uma voz feminina no balanço especial 'Superlage'. Depois de testarem diversas vozes, escolheram o belo e encorpado timbre da paraense, Jana Figarella. Com quatro faixas, o EP apresenta uma amostra das canções, que farão parte do álbum de estréia, previsto para julho deste mesmo ano.

'O teu calor' foi uma das últimas faixas a ser gravada e preparada como aperitivo, já que conta com o vocal de Jana Figarella, uma deiciosa cumbia/reggae com balanço bem popular. 'Quero brincar de sol' é uma cumbia com elemento forte do xote e do vocal típico de Olinda, onde é impossível ficar impassível e não bater os pézinhos marcando o ritmo. 'Uh la lai' é uma faixa quase instrumental, que levanta defunto em qualquer pista de dança. 'Dia de Rei' é um mantra repleto de barulhinhos e samplers, com um clima denso e hipnótico.

Com essas quatro faixas, o 'Superlage' pretende instigar o ouvinte para o lançamento do primeiro disco, com 10 faixas e dois bônus especiais.

Enquanto as fogueiras de julho não chegam, deixo aqui um bate papo rápido com o Eudes, do 'Superlage'. Que convida todos a ouvirem o EP...

De onde vem o nome 'Superlage'?
Sempre morei em suburbio. Nele escuto de tudo, prinipalmente aos domingos.
Eu gosto de ouvir de tudo, o que tá na moda das rádios e o que está na moda das ruas do meu suburbio. Até pra saber o que vou fazer ou não – gosto de música pop bem cuidada.
Superlage vem disso.
Pensamos no som que toca na laje, que é massa, mas queríamos colocar uma melodia mais apurada, os timbres e qualidade de gravação melhor, por isso que ficou assim o nome. É escrito com “G” e não com “J” por uma questão estética. O “j” ficou horrível na marca...

De onde surgiu a idéia de montar a banda?
Rapaz, não tenho como definir quando veio a idéia...
Comecei a discotecar para viajar o Brasil com um produto, para poder ter algo para apresentar nas feiras de música que frequentei, quando estava como produtor profissional.
O segundo momento desse giro como DJ era justamente montar um LIVE PA (tudo saindo do computador). Daí encontrei um amigo em Sampa e de lá começamos a planejar uma junção de cabeças para executar nossas músicas.
Mas quando começamos a arranjar as músicas, aconteceu de rolar uma simbiose de idéias e uma complementação de conhecimento.
Então ficou mais que certo que não seria o trabalho do DJ Incidental e sim da dupla formada com Rafik Alfaia – enfim, o 'Superlage'.

Como vai ser ao vivo? …o som que vocês dois gravaram...
Agora somos três...
A entrada de Jana Figarella fechou o núcleo que planejamos desde de setembro do ano passado.
Ao vivo eu solto os samplers das bases, toco guitarra e canto.
Alfaia toca baixo, percussão fina em algumas músicas e canta
A Jana toca violão e canta (muito)!
O que inicialmente seria um trabalho Live PA de músicas envolvendo cumbias, sambas e música tradicional, se transformou em um disco focado na cumbia eletrônica.

E como foi o processo pra encontrar a voz do 'Superlage'?
Fizemos quatro testes antes de Jana.
Ela foi a primeira a ser indicada por uma amiga de Alfaia e foi a última a fazer o teste, quebrando o provérbio que os últimos serão os primeiros. Ela foi a primeira e acabou sendo a vocalista que procurávamos.
Jana é paraense, faz faculdade de artes cênicas na Federal e canta na noite.
Uma voz poderosa...
Apesar de gostar demais da música feita aqui em Pernambuco, a primeira meta para compor o grupo foi buscar um timbre vocal que levasse a música a um lugar não muito comum às referências do que é apresentado pelos grupos locais. A idéia sempre foi montar arranjos, timbres e voz que transitassem bem em vários grupos sociais, em várias tendências da música POP.

E como será a distribuição/ disponibilização do disco?
Superlage é banda para mídia, para quem escuta, para nós é uma empresa.
Ter as faixas disponibilizadas no site é legal, pois, penso que se vai deixa baixar, que seja para mandar o link aonde puder.
Não discutimos ainda sobre a distribuição física, daí não sabemos as regras para disponibilizar.
Um escritório de produção está vendo essa parte burocrática...

2013 Superlage EP

1. O teu calor
2. Quero brincar de sol
3. Uh la lai
4. Dia de Rei

domingo, 17 de março de 2013

DE OLHOS VERMELHOS ELES SÃO COELHINHOS

A banda 'Iconili' mistura um caldeirão dançante de tropicalismo psicodélico com referências ao jazz, rock, ritmos brasileiros e músicas africanas.

A banda mineira 'Iconili' faz um som instrumental com 11 integrantes, entre sopros, teclado, guitarra, baixo e percussão.

“'Iconili' é uma palavra inventada que nos significa, I CONIGLI (os coelhos em italiano). Coelhos se reproduzem e nós somos 11”, declara a banda, em sua própria página no feicibuqui.

O som que a galera do 'Iconili' faz somam referências de vários estilos e ritmos. A banda cria um clima de batucada progressiva com metais em brasa. O show de lançamento do EP, 'Tupi Novo Mundo', aconteceu neste final de semana no Studio SP em São Paulo. Dentro em breve mais shows pelos outros estados brasileiros.

O álbum abre com 'O rei de Tupanga' e segue na mesma pegada com 'Solar' e 'Areia', e depois crescendo com 'Mulato', até o final apoteótico em 'Búfala'. O disco é uma peça fundamental em qualquer estante, ou pasta virtual.

2013 Tupi Novo Mundo EP

1. O rei de Tupanga
2. Solar
3. Areia
4. Mulato
5. Búfala

domingo, 10 de março de 2013

CRIOLO VEM PARA SOMAR E MULTIPLICAR


Criolo lança disco ao vivo, com repertório do álbum 'Nó na Orelha', e disponibiliza gratuitamente o audio e video do show.



O show do Criolo é catártico e você se sente numa “Criolomania”, com meninas gritando e desmaiando na geral. O que elas gritam? “Me leva pra Passárgada, Criolo! Me leva pra Passárgada!”. Entre um grito e outro, elas cantam todas as letras e entoam o pranto do poeta com 'Nó na Orelha'.

No show, a banda é formada por Criolo e DJ Dan Dan nos vocais, acompanhados por Daniel Ganjaman nos teclados, Marcelo Cabral no baixo, Guilherme Held na guitarra, Sérgio Machado na bateria, Thiago França no sax tenor e flauta, Anderson Quevedo no sax barítono e flauta, Gustavo Sousa no trompete e Maurício Badé na percussão.

A faixa de abertura é 'Mariô', clássica canção composta por Criolo e Kiko Dinucci, que foi um dos temas gravados junto com o pai do ethio-jazz, Mulato Astatke, para a BBC em Londres. “Eu odeio explicar gíria”, reflete a platéia em uníssono.

O espetáculo segue com 'Sucrilhos' e 'Subirusdoistiozin' na sequência. 'Samba sambei' enaltece o reggae e Criolo recomenda que não mexam com o Bob (Marley), “deixa o Bob ai...”. 'Freguês da meia noite' cria um clima de cabaré, com um belo samba-canção de arranjo ímpar.

Vem o ponto alto do show com 'Não existe amor em SP', numa versão apoteótica que encerra em clímax com solo de guitarra matador. 'Lion Man' e 'Grajauex' deixam os espectadores em polvorosa, com as letras inspiradas de Criolo e o belo acompanhamento de Dan Dan – o cara é phoda! Tem a manha total....

'Linha de frente' é um belo sambinha lúdico, com participação especial de Duani no cavaco. O encerramento dá-se com 'Bogotá', afrobeat que abre o álbum 'Nó na Orelha' e o bis certeiro vem no 'Vasilhame', clássico do cancioneiro popular do Criolo.

Não é novidade que o Criolo lance seus discos e vídeos, disponibilizando-os gratuitamente na internet – fato esse que contribuiu para essa recente “Criolomania”.

Dessa vez fica a cargo do ouvinte, fazer doações em contrapartida pelo download do disco e video – naquele esquema, “pague quanto quiser”.

2013 Nó na Orelha ao Vivo no Circo Voador

1. Mariô
2. Sucrilhos
3. Subirusdoistiozin
4. Samba sambei
5. Freguês da meia noite
6. Não existe amor em SP
7. Lion Man
8. Grajauex
9. Linha de frente
10. Bogotá
11. Vasilhame